Expedição Machu Picchu - 2004

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Mais uma vez, depois de um longo ano de espera, chega o grande dia...

Desta vez vou eu Edilson Dorada, minha esposa Sayuri Dorada, e nossos amigos de estrada e trilha:

Francisco Belo e Juliana Gouveia Belo. Uma grande expedição com total de 27 dias e 10.000km de pura aventura.

 

Relato de Viagem

11- 12 - 2004

Saímos de Ponta Grossa, Pr, no dia 11/12/2004 por volta das 6:00h da manhã, sentido Foz do Iguaçú, lá pelas 11:00h paramos para nosso primeiro almoço, na sombra de uma árvore ao lado de um posto de combustível, alguns sushis depois e pegamos a estrada...

Às 14:00h estávamos na aduana Argentina fazendo os procedimentos de entrada do país, pegamos a estrada sentido Posadas, região das Missiones.
Na outra viagem havíamos passado direto pelas ruínas Jesuitas de San Ignácio Mini (S27 15.136 W55 31.834), desta vez paramos para uma visita, custo de US$ 3 por pessoa, que com certeza valeram a pena. Um lugar lindo, um misto de construções antigas de uma arquitetura linda, combinadas com uma grama muito bem podada dão ao lugar um ar de sossego e tranqüilidade, bom lugar para recarregar as baterias e seguir viagem...Chegamos em Posadas no final da tarde, 19:30H, ficamos no hotel Romel (S27 24.234 W55 54.813), bacana, limpo e barato (US$12 casal ). Total rodado no dia 860 km.

 

Pegando a estrada...

12- 12 - 2004

7:00 h da manhã e lá estávamos nós caindo na estrada, sentido a cidade de Corrientes, depois Resistência e tomando a direção do Chaco, sem muito pra ver neste dia. Rodávamos tranqüilos até chegar a um ponto onde o asfalto está muito degradado, ano passado havíamos passado por dois pedaços um pouco ruins, desta vez a coisa estava bem pior, muito buraco e muito pó, seria no máximo um pouco de tempo a mais pra fazer o trajeto não fosse por um susto, eu cai em um buraco com a picape, deveria estar a uns 80KM/H, foi por pouco, quase capotamos, mas tudo bem, sacudimos a poeira e fomos em frente, nada de avarias no carro,
Seria triste um acidente em pleno aniversário de casamento.

Um pouco à frente cerca de uns 20 KM, foi a vez dos companheiros de viagem, O Chicão quase atropelou uma vaca, foi por muito pouco. A região do Chaco é basicamente de agricultura e pecuária, como é uma reta imensa , cerca de uma 400km, viajando por uma altitude de aproximadamente 70m, a vegetação cerca a estrada e o gado pasta solto, vez ou outra algum deles cruza o asfalto saindo do meio da vegetação, é um trecho que requer cuidado.

Parecia que a viagem teria muitos incidentes rodoviários , mas, foi com certeza a única coisa séria que aconteceu em toda a expedição. Chegamos em Joaquim V. Gonzales às 18:20 H, onde passamos a noite no Hotel Colonial(S25 07.039 W64 07.425), o mesmo do ano passado , (US$18 casal), jantamos em um restaurante bacana (US$8 casal) que não me recordo o nome, mas que é muito fácil de localizar, fica do lado da praça central da cidade, que é bem pequena, pacata e de clima agradável. Total rodado no dia 931 KM.

 

 


Chaco - imensas retas...

 

 

13- 12 - 2004

Como neste dia teríamos um roteiro não muito longo, optamos por dormir uma hora a mais e saímos às 8:00 da manha, sentido San Salvador de Jujuy, logo depois da saída de Joaquim V. Gonzales, já se começa a avistar os primeiros contornos das montanhas, é algo maravilhoso, olhar para os Andes...

Almoçamos num lugar lindo (S23 44.776 W65 29.916) já na cidade de Purmamarca a 2.400msnm, avistávamos o Cerro de las sete Colores, um monte que não sei bem se tem todas estas cores, mas quem se importa, tendo ou não, almoçar à sombra de álamos com vista do morro foi muito bom...

Purmamarca é uma vila, que merece ser visitada por dois motivos principais, aclimatação, já que neste ponto se esta a uma altitude razoável, e caminhar pela feira que tem produtos de artesanato com preço muito bom. Quem vai aos Andes tem uma boa opção de comprar presentes para todos que prometeu aqui, é realmente bem mais em conta que em todo o resto da viagem....

Forças renovadas depois do almoço na tampa da picape, começamos a tarde de viagem subindo cada vez mais pelo chamado morro das 500 curvas, não tente contar... Passamos pela marca, a beira da estrada, de 4170 msnm. O ar rarefeito começa a se fazer presente, mas, sem muitos problemas físicos...

Esta é a rota quando se vai ao Chile pelo passo Jama, e depois de passar pelo salar Salinas Grandes (23 36.153 W65 52.642), muito bonito por sinal, seguimos para a “cidade de Susques”. Por volta das 18:00h chegamos e fomos direto ao Hostal Pastos Chicos, um lugar bacana a beira da rodovia, um pouco à frente da vila, que além de hotel, tem restaurante e posto de combustível ( o ultimo antes do Chile).

Não havia vaga para dormirmos e voltamos para a vila, até uma pensão ao lado da delegacia de policia, Pousada la Vicuñita (US$4,50 por cama). Um lugar bacana com uma senhora muito simpática Dona Gládis, que tenta falar português, a até que fala bem...
Voltamos ao Pastos Chicos, comemos carne de lhama, uma delicia, e fomos dormir a 3.655msnm, com uma noite um pouco fria depois de uma chuva de granizo enquanto jantávamos...Total rodado no dia 460 Km.
 

 


Almoçando sob os Álamos


4.170 Msnm


Salar Salinas Grandes

 14- 12 - 2004

Já eram 8:00h quando acordamos,todos dormimos no mesmo quarto, simples mas limpo. Despedidas, fotos com a anfitriã e deixamos Susques pra traz num dia ensolarado e com temperatura de 7° C. Sabíamos que iríamos pegar muita estrada de terra, foram uns 80km que embora de chão e poeira , esta em bom estado. Neste trecho haviam obras de pavimentação que partiam de Susques e seguiam até a fronteira, creio que em pouco tempo teremos como fazer este trajeto todo por asfalto. Pra Sayuri e eu, não haviam muitas novidades, visto que já havíamos passado por ali na outra aventura até o Atacama, porém, a cordilheira é sem duvida algo de encher os olhos, não importa quantas vezes se passe por ela, sendo que a cada curva da estrada, têm-se um visão e uma emoção diferentes. Paramos pra muitas fotos, e as vezes só pra admirar a paisagem mesmo. Coisa que na outra viagem não tínhamos tanto tempo disponível.

Algumas lhamas e montanhas depois, chegamos a divisa com o Chile, fizemos aduana de saída da Argentina (S23 14.193 W67 01.637 ) e entramos no Chile, dando alô ao asfalto lisinho. Alguns quilômetros a frente, chegamos em um salar muito bonito, com um pouco de água que formava uma laguna que refletia as montanhas e a parte seca, toda de sal, muito branco. Basicamente foi o primeiro lugar da viagem em que usamos tração 4X4, entramos no salar a 4.120msnm , pra umas fotos, e olha, valeu a pena, sujou um pouco os sapatos e as picapes, mas as fotos foram umas das melhores da viagem.
Já passava das 4:30 da tarde, quando atingimos o ponto mais alto, de carro, do trecho de ida (4.826 msnm), próximo da divisa com a Bolívia, quase chegando em San Pedro. Nas proximidades de San Pedro fica o vulcão Licancabur, um pico majestoso, que de longe já nos acompanha. Tiramos mais fotos e começamos uma descida de uns 30km até o vale de San Pedro de Atacama, uma estrada que já fez muitas vitimas, visto que se desce de uma altura de uns 4.500m até 2.400msnm (altitude de San Pedro).

Fizemos Aduana de entrada no Chile já praticamente dentro de San Pedro e sem problemas chegamos a vila muito bacana . Por sorte a pousada (S22 54.849 W68 12.162) que havíamos ficado da outra vez pode nos acolher. Até hoje não sabemos o nome do lugar, que batizamos de Pousada das Peritas, por ter muitos pés de uma espécie de pêra. Fomos recepcionados por Soledade, uma senhora muito simpática (US$18 o casal , mais US$1 por guardar o carro). Após estarmos acomodados, fomos reservar o passeio para os Gêiseres El Tatio (+- US$20 por pessoa) para o dia seguinte e fazer uma caminhada pela vila. Jantamos um macarrão miojo com atum enlatado, que estava muito bom, levando-se em conta a fome que tínhamos. Total rodado no dia 285 Km.

 


Fronteira Argentina - Chile - Paso Jama


Picapes e Vulcão Licancabur


Vulcão Putana - ida pra Gêisers

 

15- 12 - 2004

4:00 h da manhã saímos para o passeio, um trajeto de 80 km feitos numa estrada de terra por muitas vãns, levantando muito pó. Neste trecho, feito no amanhecer do dia., mas ainda no escuro, tudo que se vê são as luzes dos outros carros, e aos poucos vai se vendo o contorno das montanhas que ultrapassam os 5.000msnm. Eu não me sentia muito bem quando notei que o Chico é quem realmente precisava de ar, literalmente. Passamos dos 4.000m e o motorista fez uma parada para aqueles que quisessem encarar o frio de 0° C para tomar um ar, que fez muito bem. Ultrapassamos os 4.700m e depois de descer um pouco, chegamos aos Gêiseres El Tatio a 4.300msnm. Frio de zero grau, andamos por aquele cenário que parece meio pré histórico...( S22 20.088 W68 00.600 ).
È um lugar muito especial, exótico, muita água quente, muito cheiro de enxofre e uma paisagem linda, muito próximo de onde estão os gêiseres, existem picos com neve. É uma sensação estranha, depois que o sol nasce a temperatura fica agradável, cerca de uns 8 ou 9° C e tão perto dali, neve. Os Andes com toda sua altitude têm um clima todo particular e por que não dizer, próprio. Tomamos nosso café da manhã, feito pelo guia, com leite aquecido nas águas termais, café solúvel, pão e geléia. Naquelas condições geográficas, um grande banquete. Na volta para San Pedro, já com dia ensolarado é que se têm noção de onde passamos. Muitas paisagens lindas se escondem entre as montanhas e é neste tipo de passeio que se pode ver algumas delas. Chegamos a um povoado chamado Machuca, e lá comemos um espetinho de carne de lhama, que eu digo com certeza foi um dos grandes acertos da viagem.

De volta a vila, fomos a um lugar com internet e colocamos a família a par da aventura. Depois, no final da tarde, uma visita ao Vale da Lua, pra se ver o por do sol, que com certeza é um dos lugares mais bonitos da terra. É meio estranho, como pode um cenário totalmente sem verde e praticamente sem vida animal, ter uma beleza tão grande, quer um conselho: vá ver e sentir o Valle de la Luna (S22 56.807 W68 17.850 ).
Valeu a pena principalmente pro Chico que fazia aniversário, passou um dia diferente em meio aos Andes...

 

 

 


Gêisers El Tatio, Outro mundo ...


Águas a 80° C


Vale da Lua

 

 

 

16- 12 - 2004

9:30h não é o que se pode dizer levantar cedo para pegar estrada , mas, como o trecho não seria muito longo e com trajeto tranqüilo, foi neste horário mesmo que saímos de San Pedro, partindo sentido Iquique. Neste dia, passamos por Chuquicamata (S22 16.979 W68 54.633) , para uma visita a maior mina de cobre do mundo a céu aberto, ou seja, um imenso buraco no meio do deserto, com 4,5 Km de diâmetro e 800m de profundidade, com caminhões que chegam a custar 3 milhões de dólares e de tão enormes, podem carregar até 370 toneladas de uma só vez. É uma coisa incrível, gigantesca.

Por volta das 5:00 h da tarde passamos por Tocopilla, uma cidade portuária às margens do oceano pacífico, que fazia sua primeira aparição na viagem e nos acompanharia até o fim do dia por uma estrada toda beira mar. Chegamos em Iquique já era noite, e depois de umas voltas e conversas com atendentes de hotéis, acabamos ficando num que seria o melhor e o mais caro da viagem. Hotel Arenas Blancas (S20 15.051 W70 08.239) ( US$40 o casal). Total Rodado no dia 523 Km.

 

Caminhão - Mina Chuquicamata
 

17- 12 - 2004

Este foi o dia mais cansativo até então, não pelo trecho percorrido, visto que só ficamos em Iquique, mas sim pelo tanto que andamos na Zofri ( zona franca de iquique) (S20 12.513 W70 08.403 ), um grande centro comercial que vende de tudo por um preço muito bom, porem como não era nosso motivo de viagem, mais uma vez mais andamos que compramos. Bom pro Chico e pra Jú que compraram uma câmera fotográfica muito boa...

 


Iquique

 

 18- 12 - 2004

Por falar em dia que seria cansativo, eu sabia que a entrada no Perú seria complicada, foi algo que pesquisei muito antes da viagem e por este motivo já estava meio preparado para a maratona. Bem, deixamos Iquique por volta das 10:00 h, este retardo na hora de saída foi por causa de que tínhamos que comprar um remédio pra soroche ( mal de altitude) , para Sayuri, e até a farmácia abrir, perdemos muito tempo, porém acredito que nada na vida é por acaso, quando algo assim acontece acredito ser para que não estejamos em outro lugar naquele horário, para que tudo dê certo depois. ...Quando saímos da cidade subimos pela estrada que leva sentido Rodovia Panamericana, e neste trecho se sai do nível do mar e vai até uns 1000m em questão de minutos, uma grande e abrupta súbita, mas com um visual maravilhoso, local este utilizado por muitos moradores locais amantes do esporte radical e praticantes de Para Pente.

Passamos por Humberstone (S20 12.123 W69 48.318 ) uma cidade fantasma, onde antes moravam e trabalhavam cerca de 3.000 pessoas na extração do salitre, hoje devido o salitre ser manipulado em laboratório ou algo que possa substituí-lo, a extração se tornou inviável e a cidade acabou por ser abandonada , e é justamente isto que atrai turistas.Chegamos em Arica por volta de 3:00 h da tarde, uma cidade muito importante no cenário mundial da arqueologia, visto que la foram encontradas muitas múmias de um povo indígena, que viveu nos Andes antes mesmo dos Incas, sendo que algumas são mais antigas que aquelas encontradas no Egito.

Tomamos a rodovia sentido Perú, e sou franco em confessar a emoção de se estar chegando em um outro país, até então desconhecido, mexe com a gente. Aduana chilena, durou uma meia hora, porque demos azar de ter um monte de gente de um ônibus que fazia o mesmo trajeto.
Foi o primeiro contato com os peruanos, todos parecendo muito pobres e viajavam num ônibus que eles mesmos empurraram na alfândega para pegar no tranco...

Uma inscrição na placa dava boas vindas ao Perú e outra no asfalto marcava o início das terras peruanas, começava ali uma viagem a um mundo místico e recheado de cultura.
Como citei um pouco antes, a aduana peruana seria uma grande maratona, creio que a coisa seja mais um grande teatro, mas, é como costumo dizer, se você está no país de outros seja seguidor das leis deles.

Durou umas 3 horas o corre corre de lá pra cá, em busca de muitos carimbos que são necessários para se entrar no país, num total de 7, entre eles, vigilância sanitária, aduana, inspeção veicular, migraciones, regularização do automóvel, enfim uma grande bagunça. Mas, embora na hora o clima seja meio de tensão, depois nos damos conta de que é isto que marca uma viagem, as diferenças, é em busca delas, das diferenças é que viajamos, no final foi até divertido e comparável a uma gincana onde vence quem conseguir carimbar todo o papel e no final entregar pro policial que fica no final da pista controlando a cancela. (Há uma parte no site com informações sobre documentos necessários.)

Depois de muito marrom da paisagem desertica, por volta das 5:30 H entramos num vale com um visual de um verde de encher os olhos, um ar de colônia com direito a camponeses muito organizados com suas plantações de milho, uva e seus animais. Logo passamos pela placa de boas vindas a Moquegua, uma cidade de tradição vinícola e de fabricação do Pisco, uma bebida muito apreciada por lá, feita a partir da uva. Nos hospedamos em um hotel chamado Colonial (S17 11.130 W70 55.779 ) ( US$25 casal ), onde conhecemos Dona Délia, uma senhora muito simpática que nos ofereceu nossa primeira Inca Cola, refrigerante típico peruano, que tem um pouco de gosto de chicletes mas tudo bem, depois a gente até gosta. Esta senhora nos deu uma verdadeira aula de historia sobre Perú, Bolívia e Chile, tudo contado com entusiasmo e demonstrando uma grande paixão pelo lugar, coisa que não foi difícil de entender, visto que nós em poucos minutos já havíamos nos encantado pelo vale.

Foi um tempo gasto com uma conversa muito agradável, depois ela alertou que haveria uma festa no hotel, dissemos que não haveria problema, porém a coisa se estendeu madrugada afora e no outro dia estávamos cansados um pouco além do normal. Total rodado no dia 549 Km.

 


Fronteira Chile - Perú


Dna. Délia - Hotel Colonial

 

 

19- 12 - 2004

Havíamos montado rota que não previa passagem por Desaguadero, mas depois de alguns detalhes de estrada conseguidos no hotel, mudamos a rota e as 7:15h deixamos Moquegua e partimos rumo a Puno, via Desaguadero...

Um caminho muito bonito, com muitas curvas e picos nevados por toda parte, e foi por acharmos que um dos picos estava muito próximo que resolvemos nos arriscar numa escalada, que na verdade foi um treking, partimos da estrada onde deixamos as picapes de uma altitude de 4.550msnm, e começamos a subida, aos poucos o altímetro ia mudando e a euforia aumentando, logo me dei conta de estava na frente de todos e um pouco mais atrás a Juliana vinha em zigue-zague, sofrendo um pouco com a altitude, efeito este que fez com que a Sayuri e o Chico ficassem tão atrás que eu já não os via mais.

Numa subida de 1.800m em linha reta atingi a neve do pico e a altitude que foi a maior da viagem toda 4.986msnm (S16 52.339 W70 32.952 ), temperatura de 0° C, estava com ânimo para superar os 5.000m, porém algumas nuvens carregadas surgiram não sei de onde e um trovão ecoou sobre a montanha. Tomei nota dos dados , tirei uma foto do meu pé na neve e praticamente rolei morro abaixo. Entendi bem o sentido do alerta de alpinismo que diz que a descida é sempre muito perigosa, pedras soltas podem acabar com uma aventura....
Pra surpresa de todos e alegria geral, aquela nuvem que havia me tirado o prazer dos 5.000m, veio trazendo neve, fotos e mais fotos, continuamos a viagem e passamos pela estrada cujas laterais estavam completamente brancas, e ao longe podíamos ver se acumulando nas montanhas, foi um momento mágico, visto que, fora a Sayuri, todos não conhecíamos neve....

Uma coisa triste notei na beira da estrada, pessoas pedindo esmola, moradoras de um lugar que não dá pra entender por que vivem lá, longe de tudo em um lugar tão inóspito, bonito é verdade mas muito difícil de se morar...

Uma viagem destas deixa visuais guardados na memória como lembranças inesquecíveis, a vista do lago Titicaca é algo que impressiona e emociona até os mais durões, com certeza além de ser inacreditável tanta água presa entre as montanhas, o fato de se deparar de repente com algo que mais parece um mar incrivelmente azul , a 3800msnm, é realmente algo fabuloso e recompensador...
Passava um pouco das 5:00h da tarde quando chegamos a Puno, onde ficaríamos por dois dias, afim de visitar as tão famosas ilhas flutuantes. Dificuldades para encontrar um hotel em uma cidade com trânsito caótico( como todas as cidades peruanas por onde passamos), rodamos por algum tempo, e meio que sem querer acabamos em frente a um hotel muito bacana, às margens do lago. Com uma certa dúvida pelo lugar eu esperava algo exagerado no preço, mas com uma boa conversa conseguimos hospedagem com vista do nascer do sol no lago Titicaca, num hotel chamado Eco Inn. (S15 49.371 W69 59.710) (US$38,00). Total rodado no dia 460 km.

 


Escalada - parecia perto..


Começa a nevar


Neve na estrada

 

20 - 12 - 2004

Este dia foi dedicado a visita as ilhas flutuantes, onde vivem os Uros, de toda a viagem foi o lugar mais exótico que encontramos, além de muito belo é claro...
Acertamos um passeio com um guia indicado pelo hotel, e as 9:00h a vãn nos apanhou no hotel. Tomamos um barco até as ilhas e durante o trajeto o Estevan, nosso guia, nos explicou coisas incríveis sobre o lago. O Titicaca têm um comprimento máximo de 165km, largura máxima de 60km, profundidade máxima 280m e uma área de 8.560km², não é a toa que impressionou até Jaques Costeau.

Só pela beleza do lago já vale a visita, porém, nada se compara as ilhas flutuantes, construídas a partir de uma planta similar ao junco, conhecida por lá como Totora.
A totora têm suas raízes amarradas umas as outras até que se tenha uma área de tamanho razoável, depois disto as folhas da planta são cortadas e dispostas em camadas com sentido alternado, até que se tenha consistência suficiente para construção das casas, que também são feitas de totora. Toda a ilha não passa de uma imenso bloco de planta que flutua, fica ancorada por meio de paus fincados no fundo do lago, claro que por isto elas ficam agrupadas num lugar de pouca profundidade, cerca de 5 a 10 metros no máximo. Eventualmente uma ilha pode se soltar e ficar a deriva, então quando isto acontece um barco a reboca de volta ao lugar certo.

Há cerca de 40 ilhas no lago, com uma média de até 20 famílias em cada uma, todas compostas pelo povo Uros, que são soberanos sobre as águas do lago, não podendo assim, moradores de Puno, se mudarem para uma das ilhas ou construírem sua própria.
Uma questão importante que notei foi a da higiene, perguntei como eles mantinham os banheiros do local e o guia nos explicou que são banheiros químicos, visto que eles dependem da água para sobreviverem, e por isso não podem poluí-la. Falando em higiene, a mesma planta ( totora) também serve de comida, a base do caule, parte que fica submersa é tenra e que pode ser descascada como uma banana, têm gosto que lembra caule de alface, como todos por lá não escovam os dentes, ao comerem este vegetal fazem a limpeza bucal, já que a planta é de muitas fibras.

De volta ao hotel, um dos garçons nos deu a dica de que devíamos conhecer as Chulpas de Sillustani (S15 43.132 W70 09.688), antigo cemitério inca, nos arredores da cidade, e então, depois de um almoço delicioso com direito a carne de alpaca, um animal semelhante a lhama, pegamos a estrada e fomos conhecer as tumbas.
Não bastasse a engenharia envolvida na construção das Chulpas, o visual do lugar às margens de um lago chamado Umayo era muito bonito. Grandes pedras de granito, cortadas com uma precisão milimétrica dão forma as torres mortuárias dos antigos incas, um misto de engenharia e misticismo num lugar incrível. Pela primeira vez na expedição tivemos contato com construções legitimamente incas, foi só uma prévia de tudo o que poderíamos ver em Machu Picchu.
De volta ao hotel, muito chá de coca e comida deliciosa, encerrou nossa passagem pela cidade, fomos pra cama eufóricos, pois no outro dia o destino era Cusco.

 


Lago Titicaca


Ilhas Flutuantes

 


Uros - povo local


Chulpas de Sillustani

 

 21 - 12 - 2004

Saímos de Puno por volta das 8:00h, com o sol dando um espetáculo sobre o lago Titicaca, aos poucos subíamos por uma encosta que dá acesso a estrada até Cusco, e ao fundo avistávamos Puno e o lago, numa combinação perfeita...
Por uma estrada não muito boa até certa altura, seguimos viagem, passamos por varias cidadezinhas, e uma delas nos chamou a atenção, Juliaca, uma grande bagunça de bicicletas e carros em ruas esburacadas e estreitas. Foi uma das passagens de cidade que deu mais alívio quando terminou, já havia sabido através de um toque de um amigo que a cidade é uma das mais violentas do sul do Perú, melhor passar rapidinho...

Uma paisagem muito bonita surge como recompensa depois de Juliaca, o que justifica fazer este trajeto até Cusco, montanhas verdes com picos nevados, pequenos lagos à beira da estrada e camponeses que cuidam de seus rebanhos, dão um ar de tranqüilidade... Na divisa de municípios Puno-Cusco um lugar chamado Abra la Raya, a 4.338msnm, um lugar muito bonito aos pés de um pico nevado com uma feira de artesanato em meio a cordilheira à beira da estrada. Produtos típicos, gente local e muita bugiganga....

Algum tempo de viagem depois, passamos por um vale com muitas plantações e logo começou a nos acompanhar um rio de águas turbulentas sugerindo rafting, que mais abaixo estava sendo praticado, passamos rápido mas deu pra ver o pessoal vestido pra aventura.

A este ponto Cusco já estava próxima e a euforia aumentava, por volta das 15:00 h chegamos a capital do império Inca. Uma cidade no mínimo exótica, um misto de construções da época da colonização espanhola, principalmente pelas igrejas e casas do centro da cidade...
Depois de alguns minutos de tráfego congestionado por carros velhos, em sua maioria táxis, chegamos ao Hotel Royal Inn Cusco (S13.53249 W71.96324), meio velhinho, mas até que bacana, afinal acabávamos de vir de um hotel as margens do lago Titicaca...
Tentamos repetidas vezes colocar as duas picapes na garagem do hotel, mas, nada feito, fomos obrigados a leva-las até um estacionamento próximo, que de toda a viagem foi o que mais me deixou preocupado, pois durante a trilha inca, os carros ficariam estacionados naquele lugar que não despertava o mínimo de confiança. Basta lembrar das perguntas que o responsável pelo lugar me fez: “ Vocês são de onde?”, e logo em seguida: “ Quanto vale o teu carro?”, no mínimo fiquei preocupado...

Pedimos uma pizza que de boa só tinha mesmo o preço, digo boa pra pizzaria , a pizza era cara e não muito boa, depois de um merecido banho, caímos na cama...
Total rodado no dia 396 Km.

 

 


Rumo a Cusco


Praça das Armas - Cusco

 

 

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